sexta-feira, outubro 27, 2006

Supermassive Black Hole




Oh baby dont you know I suffer?
Oh baby can you hear me moan?
You caught me under false pretenses
How long before you let me go?

You set my soul alight
You set my soul alight

(You set my soul alight)
Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the supermassive

(You set my soul alight)
Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the 'supermassive'

I thought I was a fool for no-one
Oh baby I'm a fool for you
You're the queen of the superficial
And how long before you tell the truth

You set my soul alight
You set my soul alight

(You set my soul alight)
Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the supermassive

(You set my soul alight)
Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the 'supermassive'

Supermassive black hole
Supermassive black hole
Supermassive black hole

Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the supermassive

Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the supermassive

(You set my soul alight)
Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the supermassive

(You set my soul alight)
Glaciers melting in the dead of night
And the superstars sucked into the supermassive

Supermassive black hole
Supermassive black hole
Supermassive black hole

Muse

sexta-feira, outubro 20, 2006

Coimbra...

"Não acredito que se possa deixar de relacionar a memória que temos de um espaço com as coisas que lá vivemos. Coimbra é a mais bonita de todas as cidades que já conheci na vida. Em Coimbra, nasceu o meu filho. Na Primavera, a luz é a claridade. A luz limpa que desenha todos os contornos de uma nitidez bela, como se fosse a luz que trouxesse beleza às ruas, aos edifícios, aos rostos. Lembro-me sempre de Coimbra numa eterna Primavera: o ruído de centenas de pássaros invisíveis nas copas das árvores da Praça da República. Lembro-me de estacionar o carro no Terreiro da Erva, avançar pela Rua da Sofia – que, nesta cidade de doutores, não significa o nome próprio, mas a palavra grega «conhecimento» –, lembro-me de atravessar a Rua Ferreira Borges, com o meu filho ao colo, ao lado de uma pequena multidão que observava montras ou que passeava com o desprendimento e a satisfação de passear. Lembro-me de procurar um lugar vago numa das esplanadas do Largo da Portagem. De um lado, o rio Mondego; do outro, as pessoas. Duas correntes serenas, iluminadas por essa claridade da Primavera. Depois, o tempo a ser, também ele, uma corrente serena. O tempo também iluminado por essa claridade que parecia anunciar a ressurreição do mundo.A latada, os rasganços, a queima das fitas. A cidade vive pelos horários da universidade. Os estudantes são o sorriso com que a cidade sorri. Passam vestidos de negro ou sentam-se nos cafés que têm letreiros a dizer: «Proibido estudar». O seu sorriso é jovem há muitos séculos: os que chumbam consecutivamente para não abandonar a república onde vivem, os que vão a casa de comboio no fim de semana, os que se sentavam a meu lado nas esplanadas da Praça da Portagem quando era Primavera.Em Coimbra, os lugares são tão bonitos como os seus nomes – Penedo da Saudade, Quinta das Lágrimas –, em todos eles se respira a serenidade longa de um tempo que demora e que não exaspera. A cidade é também o seu tempo. Subir ao convento de Santa Clara e fazer o nosso olhar atravessar o rio, toda a distância. Caminhar no Jardim da Sereia, nas ruas da baixa. Sentar-se numa esplanada.O Diário de Coimbra dá as novidades da Académica. Será que vai voltar à primeira divisão? Em todos os cafés há um homem a ler o jornal. É Primavera, pois lembro-me sempre de Coimbra numa eterna Primavera. Também há crianças a correr. O meu filho quer correr, mas é demasiado pequeno e fica no meu colo, a beber colheres pequenas cheias de leite morno, muito atento aos outros meninos. Faço-lhe uma brincadeira qualquer e ele sorri, olha para mim. É Primavera. Há algo de felicidade aqui. À noite, há um bailado no Teatro Gil Vicente, as trupes de estudantes andam silenciosas pelas ruas, os namorados estacionam os carros no convento de Santa Clara e beijam-se diante das luzes da cidade: a torre da universidade lá em cima, os fios de luzes até à baixa estendem-se no rio. O dia nascerá atrás da cidade. A claridade atravessará vários tons até chegar o fim de tarde e eu estacionar o carro no Terreiro da Erva e chegar ao Largo da Portagem com o meu filho ao colo e nos sentarmos numa esplanada a sermos felizes.Hoje, o meu filho já anda, já corre. Ao domingo, vamos à feira de Santo António dos Olivais ou vamos à feira da Rainha Santa. O meu filho foge-me da mão e começa a correr. Eu páro-me a vê-lo. O seu corpo pequeno ensina-me a ternura ou qualquer outra coisa grande. De certeza que é Primavera nesta cidade. O meu filho corre na claridade. Penso que um dia havemos de jogar à bola no Jardim da Sereia. O meu filho não sabe o que penso, mas olha-me e sorri, chama-me «papá». Sorrio também.Às vezes, sentamo-nos na esplanada do café Santa Cruz. O meu filho conta-me das brincadeiras do infantário, conta-me dos colegas. Conversamos. As pessoas passam, como se passasse a cidade, como se passasse o tempo. Mas Coimbra está parada na claridade dos olhos do meu filho, na claridade dos meus olhos. Ainda assim, nesse tempo parado, chega a hora da despedida. Dou um abraço ao meu filho, sinto o seu corpo pequeno dentro dos meus braços.No carro, Coimbra fica para trás. Cada vez mais longe. É noite. Coimbra é a cidade mais bonita de todas as que já conheci na vida. Em Coimbra nasceu o meu filho."
José Luís Peixoto

terça-feira, outubro 10, 2006

AINDA HÁ PRÍNCIPES



Ainda há Príncipes...

"Não vêm montados em cavalos brancos, a empunhar espadas e aprometer a morte dos dragões. Vêm por nós. Vêm para nós.Só precisamos de prestar atenção.

O que transforma um homem vulgar no nosso príncipe é ele querer ser o homem da nossa vida.

Se ficou sem consorte no dia de S. Valentim não desespere.
Faça como uma amiga minha que quando sai do carro, retoca o baton e diz com uma convicção demolidora: «o meu Príncipe pode estar em qualquer lado!».

E pode mesmo. É uma questão de fé, arbitrária e aleatória, mas que acontece.

"Até porque nós, os extraordinários, somos poucos, mas andamos por aí."...Isto é o que diz um amigo meu que é mesmo extraordinário e já encontrou a pessoa certa, pelo menos por agora...

Foi ele que um dia me explicou o que era esse maravilhoso conceito da pessoa certa.

A pessoa certa não é a mais inteligente, a que nos escreve as mais belas cartas de amor, a que nos jura paixão ou nos diz que nunca se sentiu assim.

Nem a que se muda para nossa casa ao fim de três semanas e planeia viagens idílicas ao outro lado do mundo.

A pessoa certa é aquela que quer mesmo ficar connosco.
Tão simples quanto isto.
Às vezes demasiado simples para nos apercebermos...

Os Príncipes Encantados não têm pressa na conquista porque como já escolheram com quem querem passar o resto da vida, têm todo o tempo do mundo.

Levam-nos a comer um prego porque sabem que no futuro nos levarão
à Tour d'Argent;

Ouvem-nos com atenção e carinho porque se querem habituar à música da nossa voz e entram-nos no coração devagar,respeitando o silêncio das cicatrizes que só o tempo apaga.

Podem parecer menos empenhados ou sinceros que os antecessores, mas o que chamamos hesitação ou timidez talvez seja uma forma de precaução para terem a certeza que não se vão enganar.

O Príncipe Encantado não é o namorado mais romântico que nos cobre de beijos; é o homem que nos puxa o lençol durante a noite para não nos constiparmos e se levanta às três da manhã para nos fazer um chá quando nos dói a garganta.

Não é o que nos compra discos românticos e nos trauteia canções de amor.
É o que nos ouve falar de tudo, mesmo das coisas menos agradáveis.

Não é o que diz Amo-te,mas o que sente que talvez nos possa amar para sempre.
Não é o que passa metade das férias connosco e a outra metade com os amigos; é o que passa,de vez em quando, férias com os amigos.

O Príncipe sabe o que quer,

Não é o melhor namorado; é o marido mais porreiro.

Não é o que olha para nós todos os dias, mas o que olha por nós todos os dias.

Que tem paciência para os meus, os teus, os nossos filhos e que ainda arranja lugar para os filhos dos outros.

Que partilha a vida e vê em cada dia uma forma de se dar aos que lhe são próximos.

Que quando está cansado fica em silêncio, mas nunca deixa de nos envolver com um sorriso,

Não precisa de um carro bestial, basta-lhe uma música bestial para
ouvir no carro.

Gosta de ler e sai pouco à noite, porque prefere ficar em casa a namorar e a fazer zapping.

Cozinha o básico, mas faz os melhores ovos mexidos e vai à padaria num feriado.

O Príncipe é Príncipe porque governa um reino, Porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e faz-nos sentir importantes.

Claro que com tantos sapos,bem estidos e cheios de conversa, como é que não nos enganamos? É fácil.

Primeiro, é preciso aceitar que às vezes nos enganamos mesmo.
Depois é preciso acreditar que um dia vamos mesmo ter sorte.E como o melhor de viver é saber que um dia tudo muda, um dia muda tudo e ele aparece.

Depois é deixa-lo ficar... e se for mesmo ele, fica."

Margarida Rebelo Pinto