Dia Mundial do Refugiado
Nomeado Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres, terá hoje a sua primeira acção no estrangeiro, por ocasião do Dia Mundial do Refugiado. A sua primeira visita oficial será ao Uganda, onde contactará com refugiados e deslocados que estão naquele país. Durante a visita à região, António Guterres pernoitará num campo de refugiados congoleses no Uganda, para se inteirar da situação em que vivem e para se solidarizar com os funcionários do ACNUR no local.
E o que significa ser um refugiado? É muito mais do que ser apenas um estrangeiro. Significa viver no exílio e depender com frequência dos outros para satisfazer as necessidades básicas de alimento, vestuário e abrigo. As mulheres, as crianças e os idosos são os refugiados mais vulneráveis, o que é óbvio mas que nunca é demais sublinhar.
O refugiado é antes de mais nada uma vítima, que perdeu talvez tudo na vida menos a esperança. São sobreviventes e por isso dignos de todo o nosso respeito...
Todos os dias, num ponto qualquer do planeta, há pessoas que se tornam refugiados. Na última década, vários conflitos se agravaram e em muitas partes do mundo, os civis continuam a ser obrigados a fugir, sobretudo por causa de guerras internas, as guerras civis.
Como se viu em lugares tão diferentes como o Kosovo, Timor Leste, Serra Leoa e a região dos Grandes Lagos em África, as causas que estão na origem dos conflitos e da deslocação residem muitas vezes na incapacidade de reconhecer devidamente as aspirações e os direitos de minorias étnicas ou de vários grupos sociais.
Cerca de 14 milhões de pessoas são refugiados no sentido convencional da palavra: pessoas que deixaram o seu próprio país para fugir da perseguição, de um conflito armado ou da violência. A este número deve-se somar o grande número de pessoas deslocadas que não recebem qualquer tipo de protecção ou assistência internacional, a maioria das quais permanece dentro das fronteiras do seu próprio país.
Quase dois terços dos refugiados do mundo se encontram no Médio Oriente e em África. Metade do total de refugiados são palestinos e pessoas procedentes do Afeganistão e do Iraque. Também são grandes fontes de refugiados a Serra Leoa, a Somália, o Sudão, a Jugoslávia, Angola, a Croácia e a Eritréia.
Eis as principais situações de refugiados no Mundo:
Guerra na ex-Jugoslávia
Cerca de 3.7 milhões de pessoas deslocadas ou afectadas pela guerra recebem assistência humanitária das Nações Unidas, dos quais 2.7 milhões apenas na Bósnia-Herzegovina
Asilo na Europa
Desde o início dos anos 80, cerca de cinco milhões de pedidos de estatuto de refugiado foram apresentados na Europa Ocidental.
Guerra na ex-Jugoslávia
Cerca de 3.7 milhões de pessoas deslocadas ou afectadas pela guerra recebem assistência humanitária das Nações Unidas, dos quais 2.7 milhões apenas na Bósnia-Herzegovina.
A questão palestiniana
Perto de 2.8 milhões de pessoas registaram-se junto da UNRWA, a agência responsável pelos refugiados palestinianos. O seu futuro continua a ser uma das questões mais complexas no processo de paz do Médio Oriente.
Repatriamento para a Guatemala
Cerca de 20.000 guatemaltecos regressaram ao seu país ao longo dos últimos 10 anos. Espera-se que regressem em 1995 com a assistência do ACNUR mais de um quarto dos 45.000 que ainda se encontram no México.
Reintegração em Moçambique
Mais de 1.6 milhões de refugiados regressaram a Moçambique provenientes dos seis países vizinhos entre os finais de 1992 e o início de 1995. Têm agora de começar a fazer face às suas necessidades e a reintegrarem-se no seio das suas comunidades.
Conflitos no Cáucaso
Nos últimos anos presenciou-se uma sucessão de deslocações da população no interior da Arménia, Geórgia e Federação Russa, bem como entre estes países, que envolveu cerca de 1.5 milhões de pessoas. Muitas delas não podem ou não querem regressar ao seu anterior local de residência.
Situação de emergência em Ruanda/Burundi
Mais de um milhão de ruandeses afluiram ao Zaire em meados de 1994, um movimento de refugiados dos maiores e mais rápidos alguma vez visto. O ACNUR está agora a dar protecção e assistência a cerca de 2.2 milhões de pessoas deslocadas no Burundi, Uganda, Ruanda, Tanzânia e Zaire.
E está é uma entre muitas realidades que podemos assistir (se estivermos atentos...) no nosso planeta Azul....
Baseado no documento da ACNUR (Genebra , 1995)

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